Você contratou alguém para criar o site da sua empresa. Pagou pelo desenvolvimento, recebeu o endereço para acessar e, aparentemente, está tudo certo.
O site está no ar. Os clientes conseguem encontrá-lo. O formulário funciona. O WhatsApp está lá.
Mas existe uma pergunta que quase ninguém faz quando contrata um site:
Se o desenvolvedor desaparecer amanhã, você continua tendo controle sobre o seu próprio site?
Não estamos falando necessariamente de alguém desaparecer de forma misteriosa. Pode ser uma empresa que fechou, um profissional que mudou de área, uma agência que deixou de atender clientes, alguém que simplesmente parou de responder ou até uma situação muito mais comum: você decidiu trabalhar com outro profissional.
E é nesse momento que alguns empresários descobrem uma situação bastante desagradável.
O site é da empresa….Mas os acessos… não.
O site é seu. Mas quem controla tudo?
Um site não é uma coisa única.
Por trás de uma página aparentemente simples existem vários componentes diferentes:
- o domínio;
- a hospedagem;
- os arquivos do site;
- o banco de dados;
- o WordPress;
- temas e plugins;
- contas de e-mail;
- certificados SSL;
- DNS;
- ferramentas de análise;
- contas do Google;
- backups;
- licenças de softwares e plugins.
E cada uma dessas coisas pode estar registrada em uma conta diferente.
O problema começa quando tudo isso fica concentrado nas mãos de uma única pessoa ou empresa.
Imagine a seguinte situação:
Você contratou uma agência para criar seu site há cinco anos.
Na época, ela registrou o domínio, contratou a hospedagem, instalou o WordPress, criou o site e configurou tudo.
Você recebeu apenas um usuário e uma senha para editar algumas informações.
Durante cinco anos, nunca precisou se preocupar com nada.
Até que um dia você tenta entrar em contato com a agência.
Telefone desligado…. WhatsApp sem resposta…..E-mail que não retorna…..Site da agência fora do ar.
Você acabou de descobrir que existe uma diferença enorme entre ter um site e ter controle sobre o seu site.
O domínio está registrado no nome de quem?
Esse talvez seja o primeiro item que você deveria verificar.
O domínio é o endereço da sua empresa na internet. Se sua empresa se chama “Empresa Exemplo”, o domínio empresaexemplo.com.br é um ativo digital extremamente importante.
Mas quem é o titular desse domínio? A própria empresa? O proprietário da empresa? O desenvolvedor? A agência? Ou simplesmente ninguém sabe?
No caso dos domínios .br, o registro e a administração passam pelo Registro.br. O domínio e a hospedagem são coisas diferentes e devem ser tratados separadamente.
Isso significa que você não deveria descobrir quem controla seu domínio somente quando precisar transferi-lo.
Descubra agora.
Se o domínio está registrado corretamente em nome da sua empresa, ótimo. Se está no nome de outra pessoa, é importante entender a situação e regularizar isso.
E a hospedagem?
A mesma pergunta vale para a hospedagem.
Onde o seu site está hospedado? Você sabe qual empresa fornece a hospedagem? Possui acesso ao painel? Tem acesso aos arquivos? Tem acesso ao banco de dados? Existe backup?
E, principalmente:
Se você quiser mudar de hospedagem amanhã, consegue levar seu site embora?
Uma hospedagem não deveria funcionar como uma prisão. É perfeitamente possível contratar o desenvolvimento do site com uma empresa e hospedá-lo em outra.
Da mesma forma, você pode mudar de hospedagem sem necessariamente precisar reconstruir todo o site.
Uma boa estrutura deve permitir essa independência.
“Mas o desenvolvedor precisa ter acesso”
Sim. Naturalmente, quem desenvolve ou mantém um site precisa ter acesso às ferramentas necessárias para trabalhar.
O problema não é o profissional ter acesso. O problema é somente o profissional ter acesso.
Existe uma diferença enorme entre:
“O desenvolvedor tem acesso ao meu site.”
e:
“O desenvolvedor é a única pessoa que tem acesso ao meu site.”
A primeira situação é normal. A segunda merece atenção.
E se o site usa WordPress?
No WordPress, essa situação pode ficar ainda mais complicada.
Um site pode depender de:
- uma conta de administrador;
- Elementor ou outro construtor;
- plugins pagos;
- tema premium;
- serviços externos;
- integrações;
- chaves de API;
- ferramentas de segurança;
- serviços de otimização;
- sistemas de backup.
Se tudo foi comprado e configurado usando as contas do desenvolvedor, você pode acabar descobrindo que o site depende de uma infraestrutura que você não controla.
E isso pode gerar problemas até para uma simples atualização.
O WordPress é uma plataforma aberta e permite que o proprietário tenha controle sobre sua instalação, arquivos e banco de dados. Mas isso só ajuda se esse controle realmente estiver nas mãos do proprietário.
“Mas eu tenho usuário e senha do WordPress”
Ótimo. Mas isso não significa necessariamente que você tenha controle sobre o site inteiro.
O acesso ao WordPress é apenas uma parte da história. Você pode ter acesso de administrador ao WordPress e ainda não ter acesso:
- à hospedagem;
- ao domínio;
- ao DNS;
- aos backups;
- ao e-mail;
- ao Cloudflare;
- às contas do Google;
- às licenças dos plugins;
- aos serviços externos utilizados pelo site.
Por isso, uma pergunta simples como “eu tenho a senha do WordPress?” não é suficiente.
A pergunta correta é: “Eu tenho controle sobre todos os componentes importantes do meu site?”
O que você deveria ter em mãos?
Não é necessário guardar uma pasta cheia de senhas em cima da mesa.
Mas sua empresa deveria saber onde estão e quem controla, pelo menos:
1. Domínio
Saiba onde o domínio está registrado e quem é o titular.
2. Hospedagem
Saiba qual é a empresa responsável pela hospedagem e tenha acesso administrativo à conta.
3. WordPress
Tenha pelo menos uma conta administrativa pertencente à empresa ou ao responsável pelo negócio.
4. Backup
Saiba se existem backups e, principalmente, onde eles estão armazenados.
Um backup que somente o desenvolvedor consegue acessar não resolve completamente o problema.
5. E-mails
Saiba onde estão hospedados os e-mails da empresa e quem controla essa conta.
Perder o acesso ao e-mail pode ser muito mais grave do que perder o acesso ao próprio site.
6. Google
Se o site utiliza Google Analytics, Search Console, Perfil da Empresa ou outros serviços, essas contas também deveriam estar vinculadas à empresa.
7. Serviços e licenças
Plugins, temas, serviços de segurança, ferramentas de SEO e outros recursos pagos também merecem atenção.
Você precisa saber quais deles são essenciais para o funcionamento do site e quem possui as respectivas licenças.
O maior problema: a dependência
Existe uma diferença entre contratar alguém para cuidar do seu site e depender de alguém para conseguir acessar o seu site.
A primeira situação é saudável. A segunda é perigosa.
Um bom profissional pode administrar seu site durante anos, fazer atualizações, resolver problemas, cuidar da segurança e realizar melhorias.
Você não precisa saber fazer tudo isso. Na verdade, provavelmente não deveria precisar.
Mas isso não significa que você precise abrir mão da propriedade e do controle.
Na HostMeta, por exemplo, fazemos uma distinção clara entre hospedagem, desenvolvimento e manutenção. O cliente pode contratar serviços de manutenção mesmo que o site não esteja hospedado conosco, justamente porque o site não deve ficar preso a uma única empresa.
E quando o desenvolvedor desaparece?
É aí que essa questão deixa de ser teórica.
Já recebemos situações em que o proprietário de um site precisava fazer alguma alteração ou migrar o site e descobriu que não tinha os acessos necessários.
Às vezes o antigo desenvolvedor simplesmente não respondia mais.
Em outras situações, a empresa que desenvolveu o site havia encerrado as atividades.
E há casos ainda mais complicados: ninguém sabia sequer onde o domínio estava registrado.
O resultado?
Antes de mexer no site, era necessário descobrir quem controlava cada parte da estrutura.
Em alguns casos, isso pode ser resolvido. Em outros, pode se transformar em uma verdadeira investigação.
E dependendo de como tudo foi configurado, recuperar o controle pode ser trabalhoso, demorado e até envolver custos adicionais.
Isso não significa que o desenvolvedor seja seu inimigo
É importante deixar isso claro.
A grande maioria dos profissionais que desenvolvem sites trabalha de forma correta e mantém acesso aos projetos simplesmente porque precisa disso para prestar o serviço.
O problema não é confiar no profissional.
O problema é construir uma estrutura que dependa exclusivamente dessa confiança.
Imagine que você entrega as chaves da sua loja para uma empresa de manutenção.
É normal que ela tenha uma cópia da chave. O que não parece muito razoável é descobrir, cinco anos depois, que você nunca teve uma chave.
Com seu site deveria ser igual.
Faça este teste hoje
Você não precisa entender de programação para descobrir se tem controle sobre seu site.
Pegue um papel e responda:
Domínio:
Eu sei onde está registrado?
Está em meu nome ou no nome da minha empresa?
Hospedagem:
Eu sei onde o site está hospedado?
Tenho acesso à conta?
WordPress:
Tenho um usuário administrador?
Backup:
Existe backup?
Eu sei onde ele está?
E-mail:
Se o responsável pelo site desaparecer, eu consigo continuar administrando os e-mails da empresa?
Google:
Tenho acesso às ferramentas do Google utilizadas pelo site?
Serviços externos:
Se o desenvolvedor desaparecer amanhã, outra pessoa conseguiria assumir o site?
Se você respondeu “não sei” para várias dessas perguntas, talvez seja hora de investigar.
Seu site deveria continuar existindo sem o seu desenvolvedor
Desenvolvedores passam. Agências fecham. Profissionais mudam de atividade. Empresas são vendidas. Contratos terminam.
Isso faz parte da vida.
Seu site, porém, pode continuar sendo um ativo da sua empresa por muitos anos.
Por isso, quando contratar alguém para desenvolver ou administrar seu site, não pense apenas em quem vai fazer o trabalho. Pense também em como ficará a estrutura depois que o trabalho estiver pronto.
O melhor cenário não é aquele em que você nunca consegue trabalhar sem o seu desenvolvedor.
É justamente o contrário: O melhor desenvolvedor é aquele que pode cuidar do seu site sem fazer com que você se torne dependente dele.
Porque seu site pode até ter sido criado por alguém mas, se ele representa a sua empresa, o controle sobre ele deveria continuar sendo seu.
E se você não sabe hoje quem controla o domínio, a hospedagem e os acessos do seu site, talvez essa seja uma boa hora para descobrir.