O que acontece quando o funcionário que cuidava do site vai embora?

sainda da empresa

João era o funcionário que cuidava do site da empresa. Era ele quem sabia a senha do WordPress, onde o domínio estava registrado, qual era a hospedagem, qual conta dava acesso ao Google e onde ficavam os backups.

Quando alguém precisava alterar alguma coisa, chamava o João. Funcionava. Até o dia em que João deixou a empresa.

E foi aí que surgiu uma pergunta aparentemente simples: “Quem sabe como entrar no nosso site agora?”

Se a resposta for “ninguém”, existe um problema. E ele pode ser bem maior do que simplesmente não saber a senha do WordPress.

O site continua funcionando… até alguém precisar mexer nele

O mais curioso é que esse tipo de problema costuma passar completamente despercebido.

  • O site continua no ar
  • Os clientes continuam acessando
  • O Google continua encontrando e indexando as páginas
  • Os e-mails continuam chegando

Então, aparentemente, está tudo bem. Até que alguém precisa trocar o número de telefone da empresa…. ou atualizar o endereço….ou criar uma nova conta de e-mail….ou corrigir alguma informação… ou simplesmente fazer uma atualização no site.

E surge a pergunta: “Quem tem acesso?”

João tinha. Mas João não está mais na empresa.

É nesse momento que uma situação que parecia perfeitamente normal começa a revelar um problema de organização.

Quem realmente é o dono do seu site?

Aqui existe uma confusão bastante comum.

Uma empresa pode dizer: “O site é nosso.”

Claro que é. Mas o que exatamente significa “nosso” nesse caso?

Um site não é uma única coisa.

  • Existe o domínio
  • Existe a hospedagem
  • Existe o WordPress
  • Existem as contas de e-mail
  • Podem existir serviços como Google Search Console e Analytics
  • Podem existir contas de plugins, serviços externos, ferramentas de formulário, sistemas de backup e várias outras coisas.

E cada uma delas pode estar vinculada a uma conta diferente.

É perfeitamente possível que a empresa seja proprietária do negócio, pague pelo site e até apareça como responsável pela marca, mas não tenha controle efetivo sobre todos esses recursos.

O domínio pode estar registrado em uma conta pessoal de alguém, a hospedagem pode estar no cadastro de um antigo funcionário, o WordPress pode ter somente um administrador, o acesso ao Google pode estar vinculado ao Gmail de uma pessoa que saiu há dois anos.

Nesse cenário, uma pergunta importante deixa de ser: “De quem é o site?”

E passa a ser: “Quem realmente controla o site?”

São coisas diferentes.

O problema não é o funcionário ter acesso. É só ele ter acesso.

É importante deixar uma coisa clara: não existe nada de errado em um funcionário cuidar do site.

Aliás, alguém precisa fazer isso.

O problema começa quando uma única pessoa se torna a única ponte entre a empresa e toda a sua presença digital. O funcionário sabe as senhas, sabe onde está o domínio, sabe qual é a hospedagem, sabe como acessar o WordPress, sabe onde estão os backupss, sabe qual e-mail recebe os avisos.

E talvez ninguém mais saiba.

Enquanto essa pessoa continua na empresa, tudo parece ótimo. Quando ela sai, aparece a fragilidade.

Não é necessariamente um problema de má-fé e nem significa que João, agora, ex-funcionário do nosso exemplo, possa fazer alguma coisa errada.

Pode ser simplesmente falta de organização.

A empresa foi crescendo, as pessoas foram assumindo responsabilidades e ninguém parou para pensar no que aconteceria se aquela pessoa deixasse de estar disponível.

“Mas o site foi feito pela agência…”

Troque o funcionário por uma agência, um freelancer ou um profissional que prestava serviço para a empresa.

O problema pode continuar exatamente igual.

  • “Foi aquela agência que fez.”
  • “Era o rapaz que cuidava.”
  • “Ele que registrou o domínio.”
  • “Ele sabe onde está hospedado.”
  • “Não temos mais contato com ele.”

Essas frases são mais comuns do que deveriam.

E existe uma diferença importante entre uma empresa cuidar do seu site e uma empresa depender de outra para conseguir acessar o próprio site.

O prestador pode ter acesso administrativo, pode fazer manutenção, pode cuidar das atualizações, pode até ser responsável por toda a parte técnica.

Mas a empresa deveria continuar tendo condições de recuperar o controle dos recursos que são seus.

Afinal, o site pode ser administrado por terceiros mas a propriedade e o controle não deveriam desaparecer junto com o terceiro.

E se ninguém souber onde está o domínio?

Esse talvez seja um dos casos mais desagradáveis. Imagine que o site está funcionando normalmente, a hospedagem está funcionando, os e-mails estão funcionando.

Tudo parece normal.

Até alguém precisar renovar, transferir ou alterar alguma coisa relacionada ao domínio. Então vem a pergunta:

“Em qual conta esse domínio está registrado?”

Ninguém sabe.
> “Deve estar no e-mail da empresa.”

Qual e-mail?
> “Talvez no Gmail do João.”

Qual Gmail?
> “Não sei.”

É nesse momento que fica evidente que ter um site funcionando não significa necessariamente ter o controle dele.

O domínio, o site e os emails são peças fundamentais da presença digital de uma empresa.

Se ninguém sabe onde eles estão, quem possui acesso ou como recuperar a conta responsável, existe uma dependência que deveria ser corrigida.

O funcionário foi embora. Os acessos também precisam ir.

Quando alguém deixa de ser responsável pelo site, não basta simplesmente apagar o usuário do WordPress.

É preciso lembrar que o site pode estar conectado a vários outros serviços.

Por isso, uma mudança de responsável é um bom momento para revisar pelo menos:

  • acesso administrativo ao WordPress;
  • hospedagem;
  • domínio;
  • contas de e-mail utilizadas para recuperação;
  • Google Search Console;
  • Google Analytics;
  • contas de plugins e serviços externos;
  • ferramentas de backup;
  • certificados e serviços relacionados;
  • usuários que ainda possuem acesso.

Também vale verificar se existem contas antigas de funcionários ou prestadores que já não deveriam ter acesso. Não é paranoia. É organização.

Uma empresa deveria saber quem consegue acessar seus recursos digitais e por quê.

O site deveria sobreviver à saída de qualquer pessoa

Um bom teste é imaginar uma situação simples:

A pessoa que cuida do site hoje não poderá mais trabalhar na empresa amanhã.

O que acontece?

Se a resposta for: “Outra pessoa assume e continua tudo normalmente”, ótimo.

Mas se a resposta for: “Precisamos ligar para ele para descobrir a senha”, “Só ele sabe onde está o domínio”, “Não sabemos qual e-mail foi usado”, “Ele que sabe como entrar no servidor”, então existe uma dependência que merece atenção.

Isso não significa que todo mundo precise saber tudo. O responsável técnico pode continuar sendo responsável técnico. O administrador do site pode continuar administrando o site. A agência pode continuar fazendo a manutenção. O funcionário pode continuar cuidando de tudo aquilo que faz parte do seu trabalho.

A diferença está em uma coisa bastante simples:

a empresa precisa conseguir continuar existindo digitalmente sem depender da existência daquela pessoa.

Afinal, de quem é o site?

Talvez essa seja a pergunta mais importante deste artigo.

Se você não sabe quem possui o domínio, quem controla a hospedagem, quem tem acesso administrativo ao WordPress ou qual conta pode recuperar esses acessos, talvez você não tenha exatamente o controle que imagina ter.

E não é preciso esperar alguém pedir demissão para descobrir isso.

Vale fazer o teste agora.

Pegue uma folha de papel ou o bloco de notas de seu computador e tente responder:

  • Onde está registrado o nosso domínio?
  • Quem consegue acessar a hospedagem?
  • Quem é administrador do WordPress?
  • Qual e-mail é usado para recuperação dessas contas?
  • Quem possui acesso ao Google Search Console?
  • Onde estão os backups?
  • Existe algum ex-funcionário ou antigo prestador que ainda tenha acesso?

Se todas as respostas estiverem claras, ótimo, você tem o controle de seu site e sabe o que fazer se algo der errado.

Se algumas forem “não sei”, talvez aí exista um problema que precisa ser resolvido o mais rapidamente possível.

Porque um site pode continuar funcionando perfeitamente durante anos sem que ninguém perceba que o controle dele ficou pelo caminho. Até o dia em que alguém vai embora.

E, junto com essa pessoa, parece ir embora também a única coisa que mantinha tudo funcionando.

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